Desde que me conheço por gente, quando chegava o verão, a gente lá em casa já ficava esperando a hora do meus pais dizerem que a gente ia passar uma parte do verão em Santa Catarina.
Como no Rio Grande do Sul as estações são bem definidas e o verão é muito, mas muito calor, todo bom gaúcho que se preza, tira umas férias e vai “veranear”ou nas praias do litoral do nosso estado ou em Santa.
Me lembro eu pequena, uns 6 ou 7 anos anos, com meu irmão brincando na beira da praia em bombinhas ou comemorando meu aniversário de 12 anos no Plaza Itapema, no dia que saiu o plano cruzado.
Bom, mas na verdade o que quero contar aqui, é que mesmo sendo gaúcha, Santa Catarina faz parte da minha vida e de momentos e memórias maravilhosas que tenho. Desde minha infância, passando pela adolescência passada nas praias de Garopaba, até o último Reveillon na beira da praia de Lagoinha de Canasvieras.
Por isso, essa tragédia toda que aconteceu lá, me bate forte e me deixa triste mesmo. Nós aqui da Encantário, já doamos roupinhas de bebê e alguns outros itens de limpeza, mas eu queria passar para o site um email de uma fornecedora que achei lindo e acho que descreve bem o povo guerreiro que faz a bela e Santa Catarina, esse texto maravilhoso vale também como uma mensagem de recomeço para o novo ano que vem aí:
COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão…Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente…Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos…Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires…Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus…Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta…Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida…Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura…Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa…Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho…Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos…Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar…Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras…Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome…Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio…Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes…Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos…Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política…Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados…Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória…Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia…Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio…Agora somos parte dele…É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus…Vamos começar de novo.
Anônimo



1 de janeiro de 2009 às 23:40
Eu tive o memso sentimento com toda a tragédia de Santa Catarina, não só por ter passado os melhoes momentos da minha vida por lá, como também pelos montes de parentes meus que moram na região – e que graças a Deus, tirando a sujeira enorme, não foram afetados.
Fiz uma peqeuna parte através de inúmeras doações de roupas de bebês, infantis e de adultos. É menos do que eles merecem, mas com certeza já é alguma coisa!
Adorei a loja e quero visitá-la ao vivo em breve!